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Textos da Tânia | Carta

Bailarina, sei que estamos um pouco afastados, por isso pedi que a Matilde te entregasse esta carta, é uma carta de despedida. É um pouco cliché escrever uma carta, mas como dizia um heterónimo de Pessoa "Cartas de amor não seriam cartas de amor se não fossem ridículas".Esta carta é uma prova de que eu tenho aprendido a perceber – e aceitar – tudo o que eu sinto por ti, a perceber que vou sentir a tua falta, de ver como os teus olhos brilham, de te ver dormir e fingir estar a dormir quando te mexes com medo que me vejas a velar o teu sono, de ter o teu cheiro entranhado na minha pele e na minha roupa, das nossas loucuras, dos teus beijos, de quando te agarras a mim após noites de filmes de terror, do teu sorriso – o teu sorriso é o melhor do meu dia – de ver ainda que de forma discreta o amor que tens à Clarinha e quão as duas se amam. Já tinhas conquistado toda a família, eu incluído embora eu me negasse a aceitar, ao longos destes meses conseguiste conquistar-me de uma forma que pensei não ser possível, quero agradecer-te tudo o que vivemos juntos. Sei que sabes tão bem como eu que vai doer, para mim e para ti, nós conhecemos bem a vida real. Mas quero que saibas que continuarás a ser a minha melhor amiga, embora todo o que sinta por ti, espero que possamos conversar e recuperar a nossa amizade. És muito importante para mim. Estou a escrever esta carta e já sinto falta das conchinhas e dos beijos, a amizade mútua que sempre nos caracterizou. Segundo uma lenda japonesa "Um fio vermelho invisível conecta aqueles que estão destinados a se encontrar, independentemente do tempo, lugar ou circunstância. O fio pode esticar ou emaranhar, mas nunca se quebrará."
Espero que tu sejas o meu fio vermelho invisível...Promete-me que vais dando notícias, eu ficarei à espera de um telefonema, de um email ou até mesmo de uma visita tua.
Com muito carinho, teu sempre, Estrela

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