Avançar para o conteúdo principal

Textos da Tânia | Outra Metade

   Num banco de jardim vejo uma mulher e uma criança, mãe e filha suspeitei, estão muito cúmplices.
Passados alguns anos, a criança dera lugar a uma jovem adolescente linda de cabelo encaracolado acastanhado, ela e a mulher continuavam cúmplices no mesmo banco de  jardim.

    Certo dia a adolescente chegou a casa, a chorar, e foi para o quarto a correr. A mulher que estava na sala viu-a passar e foi atrás dela, chamando por ela, quando finalmente chegou ao quarto perguntou à adolescente o que se passava, enquanto se sentava na cama, a jovem começou a contar e a mulher fez um sinal com a mão a pedir à jovem para deitar a cabeça no seu colo. A jovem fez o que a mulher pedira e continuara a contar o que tinha acontecido,  enquanto a mulher lhe acariciava o longo cabelo encaracolado.
   A jovem terminou com a seguinte frase:  " Porquê que eu não tenho uma relação como a tua e a do pai?"
   A mulher ouvi-la até ao fim quando ela acabou a mulher apenas disse "as relações não são todas iguais”.  A jovem levantou-se e respondeu:
   - Não estava a dizer que quero uma igual à vossa, mas a vossa relação é tão...fez uma pausa - nem sei como dizer...Vocês são marido e mulher, amantes, confidentes, super cúmplices e amigos,  eu adorava ter metade do que vocês tem, apenas metade com alguém especial, apenas isso mãe. - Disse-o soluçando.
A mãe limpou-lhe as lágrimas e confortando-a disse:
    - Vais ter metade ou mais ainda com alguém, talvez já o tenhas e não te apercebas, além disso eu e o teu pai nem sempre fomos assim, quando éramos mais novos passávamos a vida discutir  (por tudo e por nada), mesmo antes de namoramos, provavelmente nunca te contei isto  mas eu e o teu pai…- fez uma ligeira pausa e continuou -… não estivemos sempre juntos. Nós conhecemo-nos na escola, como tu sabes, o teu pai gostou de mim mas nessa altura eu estava apaixonada por outra pessoa e nunca lhe dei muitas esperanças, ele depois acabou por esquecer-me. Se eu o magoei? Claro que sim, mesmo que tenha feito tudo para evitar magoa-lo, não o consegui. Mas ele seguiu com a vida dele e nós ficamos amigos, muito amigos como se fossemos irmãos. Quando comecei a suspeitar que começara a ama-lo ele namorava com uma rapariga e até lhe fez uma declaração dias depois de termos tido uma discussão  (mas pouco depois fizemos as pazes). Depois eles acabaram, e já que fica só entre nós nunca gostei dela.
  Pouco depois ele saiu daqui, como ele te contou, e foi por volta dessa altura que lhe disse que o sentia, e ele deu-me a resposta que eu já estava a espera, mas lá no fundo tinha uma pequena esperança que ele me respondesse outra coisa.
  Depois de ele ter-me dito que não  gostava de mim dessa forma, cada um segui a sua vida, mas continuamos sempre amigos, falávamos dos nossos amores e desamores. Um dia ele voltou para cá e encontramo-nos várias vezes com amigos ou sem amigos à volta. A pouco e pouco a cumplicidade que tivéramos um dia voltara e o amor também.
-Mas mãe, tu não tinhas dito que vocês tinha esquecido o amor que sentiam um pelo o outro? - Interrompeu a jovem.
A mãe  respondera que de facto tinha dito isso mas logo de seguida disse "Quando amamos de verdade, o sentimento nunca acaba, apenas fica adormecido, pois um amor não substitui outro.".

A jovem ficou a pensar no que a mãe dissera.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Permitir | Poema

Permite-te observar, Permite-te rir, Permite-te chorar, Permite-te sorrir, Permite-te sonhar, Permite-te cair, Permite-te voar, Permite-te ouvir, Permite-te transbordar, Permite-te ir, Permite-te errar, Permite-te conhecer, Permite-te experimentar, Permite-te viver, Permite-te tropeçar, Permite-te ser, Permite-te mudar, Permite-te renascer E recomeçar. Apenas permite... 🦋                                         Tânia R.

Cá estou eu !

   Olá a todos, peço-vos desculpa pela minha ausência aqui do cantinho. Esta ausência deve-se ao facto de estar a passar uns dias na casa dos meus avós paternos e até ontem tive de tomar conta da minha pequenina (que hoje foi para Londres, é uma sortuda) e  foi difícil vir cá.   Mas, em principio, a partir de hoje estarei mais ativa por aqui. Hoje vou visitar os vossos cantinhos.  Beijinhos :)

Textos da Tânia | As palavras ao vento voam

As palavras ao vento voam. Voam como folhas soltas ou aquelas folha que caiem no outono. As palavras estão cada vez mais gastas e infelizmente têm menos significado. É-me difícil perceber para onde elas nos levam pois nem sempre são verdadeiras, corajosos são aqueles que ainda conservam a esperança nas palavras ditas pelos outros. Nos últimos tempos, estamos a perder o valor das palavras, o valor na confiança nos outros e no que os outros nos dizem. Eu faço parte daquela percentagem de pessoas que nasceu desconfiada, que ao mínimo sinal de desconfiança fica alerta mas de alguma forma achava que sabia "escolher" as pessoas que me eram próximas... No entanto, à medida que vou vendo esta falta de promessa nas palavras ditas faz com que não acredite em nada sendo a consequência andar constantemente de pé atrás nas relações interpessoais. Já pararam na rua, sentaram-se e observaram "os outros"  ? Prestaram atenção às palavras ditas e também às não ditas pela v...